10 de janeiro de 2020 0 Comments Brand Experience, Colunistas, LifeStyle

Quando na Itália, coma como Rogério Fasano

O empresário à frente do mais renomado restaurante italiano do Brasil indica onde provar o melhor da gastronomia do país de seus ancestrais.  Por Mariana Weber

 

Osteria Da Fiore, de Veneza

Se Rogério Fasano pudesse escolher sua última refeição, seria moleche di Burano fritte con polenta (siri-mole de Burano frito com polenta), à beira do canal de Veneza, na única mesa externa da Osteria Da Fiore.

Vamos tentar entender a escolha. Há, claro, a localização. Há os produtos locais: siris em processo de troca de carapaça, macios o suficiente para serem empanados, fritos e comidos inteiros. E há a mão da chef Mara Zanetti Martin, que aprendeu a cozinhar observando a avó e, há 35 anos, apresenta no Da Fiore a sua visão sobre os pratos tradicionais do Vêneto.

No menu, preparações sem cozimento ressaltam o frescor dos ingredientes, como o tartar de atum com bottarga e alcaparras ou os camarões crus com creme de escarola, burrata e caviar (alguém lembrou do restaurante Crudo, do Fasano Angra dos Reis?). Há ainda clássicos locais, como o já dito moleche e o risoto com radicchio.

 

Antiche Carampane, Veneza

Escondido entre ruas e praças perto do mercado de peixes de Rialto e do Campo San Polo, está outro reduto veneziano da boa cozinha. O Antiche Carampane é um restaurante inaugurado em 1983 onde antes funcionava uma taverna popular (e onde, séculos antes, já se servia vinho aos frequentadores dos bordéis que davam fama ao bairro).

O menu à base de peixes varia de acordo com o que os pescadores conseguiram no dia – todas as manhãs, os cozinheiros se abastecem no mercado vizinho. Mas os clientes sabem que sempre irão experimentar pratos da tradição local com toques atuais. É o caso do baccalà mantecato, clássico bacalhau emulsionado com azeite, que no Antiche Carampane pode vir com chips de polenta e creme de abóbora. Na adega, o foco são vinhos locais, em especiais os de pequenos produtores.

 

Trattoria Felice a Testaccio, Roma

Cacio e pepe é dessas provas de que o simples pode ser incrível – uma lição que a cozinha italiana não cansa de dar. O nome significa queijo e pimenta, porque é isso que esse molho de massa leva: queijo pecorino e pimenta-do-reino. E não precisa de mais nada. Se você duvida, experimente o tonnarelli cacio e pepe da Felice a Testaccio. Mas é melhor reservar, já que a trattoria costuma encher.

Inaugurado em 1936 no bairro de Testaccio (e hoje com uma filial em Milão), o restaurante é conhecido também por outros clássicos romanos, como o bucatini all’amatriciana, o spaghetti alla carbonara e as alcachofras cozidas. Para finalizar, peça outra especialidade: o tiramisù.

 

Quinzi e Gabrieli, Roma

O destaque está tanto na cozinha – um banquete do mar – quanto na locação: um edifício do século 15, o Palazzo de Boccapaduli, que teve as paredes decoradas com afrescos pela Academia de Belas Artes de Roma.

O menu traz uma seção dedicada aos crus (e lá vamos nós ao Crudo novamente), com opções como tartare de lagosta e ceviche de peixe do dia com pimenta rocoto e gotas de tequila. Destaque também para ostras de diferentes procedências (o restaurante começou, nos anos 1980, como um bar de ostras) e massas, como o spaghettoni com camarão vermelho e migalhas crocantes de pão ou o tagliatelle com ouriços-do-mar, pesto e aspargos.


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