16 de setembro de 2019 0 Comments Colunistas, LifeStyle, Menstoys

BROOKLYN

Presente, passado e futuro

em constante mutação

TEXTO E FOTOS PEDRO ANDRADE

 

No programa Pedro Pelo Mundo, visito lugares passando por transformações irreversíveis, sejam elas climáticas, políticas, sociais ou meramente humanas. Durante a fase de pré-produção da segunda temporada, fiquei muito surpreso ao descobrir que a cidade americana que mais mudou nos últimos dez anos não era de fato uma cidade, mas sim, um distrito… Colado na minha casa!

Essa característica mutante não é novidade para esse destino. Muito pelo contrário: o Brooklyn já se reinventa há muito tempo. No século 17, esta região era habitada por uma tribo indígena que plantava milho e tabaco e era conhecida como Lenape – ou “O Povo”, na língua deles. No século 18, os holandeses se instalaram de vez e tomaram posse da terra que não os pertencia (infelizmente, acontece nas melhores famílias). No século 19, o Brooklyn virou uma cidade autônoma (a terceira maior dos EUA) e por estar passando por um momento de prosperidade absoluta, apostou-se numa expansão que resultou na primeira ponte que ligaria Manhattan às suas ruas. A Ponte do Brooklyn começou a ser construída em 1870, levou 14 anos para ser inaugurada e ao longo das décadas se tornou um dos maiores símbolos Yankees da história.

O aroma amadeirado encontra o frescor de frutas cítricas como bergamota e laranja na colônia Oud, em uma viagem sem fronteiras entre culturas orientais e ocidentais. Na Leather, como o próprio nome diz, o acorde mais seletivo, raro e evocativo é o do couro, com notas de limão siciliano e framboesa. E na Ambra a viagem é ao longo da rota da seda, sempre com o amadeirado característico da linha e toque cítrico. Escolha o seu novo cheiro e saia do comum para surpreender.

 

 

 

 

Até esse momento, tudo parecia ir bem; no entanto, em 1930 chegou a Grande Depressão ou a pior crise econômica do país até hoje. Sem esperança de melhora, os holandeses se mandaram, dando assim espaço para famílias carentes do sul da América, judeus ortodoxos do Lower East Side e imigrantes italianos, poloneses e caribenhos, todos em busca das oportunidades que Nova York oferecia.

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Contei essa história toda para dizer que esse momento, consequência de um baita perrengue, acabou sendo a melhor coisa que já aconteceu até hoje para o Brooklyn. Graças a essa diversidade cultural, religiosa e étnica, esse lugar passou pela Era Dourada do Jazz (Louis Armstrong, Josephine Baker, Ray Charles, dentre outros que passaram por suas casas de shows); acostumou-se com a gastronomia Cajun de Nova Orleans; construiu sinagogas, igrejas e mesquitas; encantou-se com os ritmos e sabores caribenhos; catapultou o estilo – e o sotaque – italiano pro mundo e, aos poucos, virou o lugar mais “cool” do continente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essas mudanças não acabaram por aí. Na última década, o Brooklyn, com seus quase 3 milhões de habitantes, tornou-se um dos metros quadrados mais caros da cidade mais exorbitante dessa nação. O que vira moda por essas bandas é instantaneamente herdado por metrópoles nos quatro cantos do globo; desde barba e camisa xadrez até estampas ousadas e disco de vinil, passando, é claro, por café artesanal e bares secretos.

O fato é que hoje em dia, quer eu esteja em Yangon (Myanmar), Addis Ababa (Etiópia), Beirute (Líbano) ou Tóquio (Japão), toda vez que alguém se refere à área mais descolada, jovem, dinâmica e bem-sucedida da cidade, a expressão invariavelmente é “esse é o Brooklyn daqui”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por essas e outras, na próxima vez que você vier à Big Apple, esqueça o hábito de planejar todos os programas sem sair de Manhattan. Abrir os olhos para esse outro universo vai fazer com que você descubra novas facetas dessa cidade tão familiar e, talvez, reavalie a importância da mistura cultural, gastronômica e religiosa no resultado final de uma equação.


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